segunda-feira, 23 de agosto de 2010

De pensar a um clichê

Parar e pensar na vida: quem nunca fez isso? E quem nunca perdeu boas horas de sono só para pensar? O intrigante é que você só começa perceber a vida do outro, que está ao seu lado, quando para de pensar no próprio nariz. Quantas diferenças há na vida de um individuo para outro. Alguns têm tristezas, solidão, dor e perda; outros, alegrias, prazeres, sorrisos e risos. Há ainda quem tenha um pouco disso e um pouco daquilo. Nem por isso, entretanto, é ou deixa de ser mais ou menos feliz do que qualquer outro.

Mas o que torna isso intrigante vem agora: mesmo as pessoas sendo visíveis e perceptivelmente diferentes, ainda assim são iguais! Ainda assim atribuem à vida (seja de quem for) clichês, conselhos, lições, esperando que cada fala ou exemplo se aplique à vida do outro como se aplica à própria. E sabe o que é curioso!? Funciona!!!

Porque cedo ou tarde você vai notar, sim, que amigos são poucos, que seu pai foi um grande homem e sua mãe, uma grande mulher, e sentirá orgulho deles. Notará que a vida passa rápido. Lembrará que já amou e não foi amado - e vice-versa. Será grato por ter tristezas e alegrias, desprazeres e gozo, pois só assim poderia dar o valor necessário a cada segundo de vida que se ganha - ou se perde, dependendo do ponto de vista.

E cedo ou tarde irá querer saber o por quê de estar aqui, para onde vai, o por quê do mundo estar assim. E com total certeza há respostas para essas perguntas. Cabe a você ir atrás das respostas, da verdade: "Conhecereis a verdade e a verdade vos libertará". Por isso, não importa o quanto almejamos algo, o quanto queremos pessoas, o quanto desejamos situações, o quanto temos certeza de que ninguém sofre mais do que nós, o quanto problemas e frustrações do outro não são nada perante às nossas. Na verdade, todos nós ganhamos vida da mesma maneira e iremos deixá-la sem nenhum mérito a mais.

O susto, a surpresa, está: em quando. E assim: iguais - ou opostos -, sofredores - ou vencedores -, clichês aplicados - ou não -, não deixemos de nos agarrar a Quem nos colocou aqui e nos quer com Ele. Alguns já estão, outros a caminho, e muitos estarão - mas não todos. Não perca tempo. "A vida é curta demais", percebe? Está um aí um clichê perfeitamente plausível!

Paty, São Paulo, agosto de 2010

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