terça-feira, 3 de agosto de 2010

Mensagem Pastoral

O POEMA DA MUDANÇA
Pois somos feitura dele, criados em Cristo Jesus para as boas obras, as quais Deus de antemão preparou para que andássemos nelas (Ef 2.10).

Viver é mudar; é experimentar o novo; é correr o risco de novas aventuras. Clarice Lispector em seu poema Mudanças declara: “Experimente coisas novas. Troque novamente. Mude de novo. Experimente outra vez. Você certamente conhecerá coisas melhores e coisas piores do que as já conhecidas, mas não é isso o que importa. O mais importante é a mudança, o movimento, o dinamismo, a energia. Só o que está morto não muda!”

De vez em quando precisamos mudar de curso, mudar o discurso e mudar o percurso. Experimente sair da sua rotina, romper com o seu marasmo e fugir do seu óbvio. Mudar não significa abrir mão de verdades imutáveis, nem destruir a memória e nem fugir do passado.

A graça de Deus produz mudanças na nossa vida. Pela graça, fomos salvos. E o resultado da salvação é uma vida produtiva e frutífera. Pois somos feitura dele, criados em Cristo Jesus para as boas obras, as quais Deus de antemão preparou para que andássemos nelas (Ef 2.10). Em Cristo, fomos criados espiritualmente. A palavra grega para “criados” é “poemas”. Deus nos criou, somos obras Dele, poemas em Cristo Jesus (2Co 5.17).

E Ele nos criou para sermos poemas da mudança, da ação e da reconstrução. O nosso DNA espiritual determina que somos novas criaturas, para vivermos em novidade de vida. Novos empreendimentos, novas obras e novos resultados. Deus quer que seja assim. Foi Ele quem de antemão preparou boas obras para que andemos nelas.

A nossa querida Igreja Presbiteriana de Pinheiros vive um tempo de mudança. Fisicamente estamos mudando de local. Mas, olhando melhor, outras mudanças estão acontecendo. Vamos mudar de endereço, mudar de rota, mudar de estacionamento, mudar de banco que estamos acostumados a sentar dominicalmente. Olhando da perspectiva de Deus, outras mudanças precisam acontecer. Precisamos melhorar a nossa vida espiritual, o nosso relacionamento com Deus e a nossa consideração com os irmãos. Precisamos rever os nossos valores, relembrar os nossos compromissos e mudar as nossas atitudes. Precisamos fazer uma faxina espiritual e jogar fora tudo aquilo que tem atrapalhado a nossa vida com Deus e o nosso amor aos irmãos.

Lembre-se que mudar é preciso. Vamos para um novo espaço, uma nova casa e uma nova vida. Há muita coisa interessante e bonita que agregaremos a nossa vida. Há, contudo, muita coisa velha que precisa ser descartada e jogada no lixo.

Termino este texto com a definição de um roqueiro brasileiro, da minha geração, é claro: “eu sou uma metamorfose ambulante” (Raul Seixas). Idéia que foi teologicamente ensinada pelo apostolo João: Amados, agora, somos filhos de Deus, e ainda não se manifestou o que haveremos de ser. Sabemos que, quando Ele se manifestar, seremos semelhantes a ele, porque haveremos de vê-lo como ele é. (1Jo 3.2).

O pastor M. Luther King refletindo sobre as mudanças do ser cristão disse: “Não somos o que deveríamos ser; não somos o que queríamos ser; não somos o que iremos ser; mas, graças a Deus, não somos o que éramos”.

Arival Dias Casimiro, São Paulo, Julho de 2010

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