

Grande aprendizado tem ocorrido. Aqueles que costumam dizer que há males que vêm para o bem não estão de tanto errados. Pessoalmente, não. Sofrer se faz necessário para perceber os erros e aprender com eles. Aprender a escolher melhor em quem confiar, aprender a calar-se, aprender a valorizar o que realmente importa e tocar a bola pra frente.
No último sábado, a participação de uma ação social juntamente com outros amigos, jovens e de valores, fez perceber que reclamar da vida é bobagem. O descontentamento, muitas vezes, deveria ser crime diante de tantos fatos trágicos, tristes. A visita a pacientes internados no Incor, o Instituto do Coração, emocionou. Muitos enfermos estavam ali há dias, em recuperação de uma cirurgia complicada, com o peito costurado. Outros estavam na fase de exames para que a equipe médica decida ou não pelo procedimento cirugico.
Ambiente de hospital é desagradável. Frio, feio, cinza. Os leitos dos SUS são divididos, ou melhor, compartilhados. O rosto dos pacientes revela dor, sofrimento, angústia. É por isso que eles se alegram um pouco quando surge uma novidade.
O grupo foi até lá visitar, conversar, levar sorriso e um papo bacana, além de fraldas geriátricas e material de higiene pessoal. Depois, o convite para um momento de oração, de reflexão e de música boa. A oportunidade veio graças ao trabalho de capelania feito ali. E, de leito em leito, os pacientes eram convidados a ir ao oitavo andar. Muitos não puderam ir, apesar de quererem. O remédio não permitia, nem o pós-operatório. Outros não se interessaram mesmo. Preferiram ficar na cama. Compreensível.



No oitavo andar do prédio do Incor foi improvisada uma capela. Ali, os que aceitaram o convite ouviram o coral de jovens cantar músicas de alegria, esperança e amor. Ouviram palavras de sabedoria e verdade por meio de uma fábula. Encorajador. E oraram, num momento com Deus.
Pessoalmente, foi difícil conter as lágrimas. Em certo momento, elas insistiram tanto que quando percebi os olhos estavam cheios e não dava mais para impedir. O jeito foi enxugar o rosto disfarçadamente. Ali, o que eles menos querem é alguém chorando, certo?
E vendo no rostinho de cada um a esperança renovada, a fé depositada em Deus e em Jesus Cristo, percebi que todo sofrimento vivido nos últimos dias desapareceu da minha frente. Era mais uma oportunidade de Deus para reflexão. A perseguição dos que invejam, a falsidade dos que se diziam amigos, o abandono de quem deveria proteger foram necessários para mais uma etapa de lapidação do diamante bruto. E só. A importância dada é essa: amadurecimento, crescimento, aprendizado. Etapa concluída? Ultrapassa-se mais um obstáculo. Supervalorizar situações e pessoas do tipo é perder tempo, extremamente desnecessário. E sim canalizar todo empenho, pensamento, amor no que de fato vale a pena.
De lá, o grupo foi doar sangue no Hospital das Clínicas.





*Não é permitido tirar fotos dos leitos e dos pacientes de forma que os identifiquem.
Paula Lobão, São Paulo, Abril de 2010